
Neste 30 de outubro, a mobilização que melhorou a vida dos trabalhadores brasileiros, deve ser lembrada e comemorada não só pelos comerciários, grandes idealizadores da luta, mas por todas as categorias, muitas com jornadas bem menores que as atuais 44 horas semanais, estabelecidas por lei.
O 30 de outubro, Dia do Comerciário, nos reporta a importantes reflexões em torno de uma categoria que tem história para contar e desafios a vencer. Há cem anos, na capital do Brasil, trabalhadores do comércio já se reuniam em associações para buscar alternativas que melhorassem as condições de trabalho da época, com jornadas de mais de 12 horas, sem dia para descanso, nem pagamento de hora extra. A grande marcha de 29 de outubro de 1932, no Rio de Janeiro, resultou na redução da jornada para oito horas diárias (48 horas semanais) e descanso remunerado no domingo. Neste 30 de outubro, a mobilização que melhorou a vida dos trabalhadores brasileiros, deve ser lembrada e comemorada não só pelos comerciários, grandes idealizadores da luta, mas por todas as categorias, muitas com jornadas bem menores que as atuais 44 horas semanais, estabelecidas por lei.
Apesar da luta, das conquistas mundiais e do crescimento econômico e social, os comerciários são os que mais precisam se espelhar na grande marcha de 32, e rebuscar alternativas de luta, porque a realidade não é promissora. A categoria, uma das mais antigas e numerosas do País, não é regulamentada. Apesar do crescimento da economia, as negociações sindicais não conseguem avançar numa remuneração adequada para os comerciários, com piso pouco mais que um salário mínimo. O trabalho aos domingos em estabelecimentos a exemplo de shoppings e supermercados, sem acordo prévio com o sindicato, é indigno para o trabalhador, porque tira o convívio familiar no domingo e não oferece compensação financeira. Percebemos, então, que estamos muito distantes do trabalho decente. A maioria dos legisladores, insensíveis aos anseios da classe trabalhadora, aprova leis desumanas que não avançam em benefícios, com a ressalva ao aviso prévio de 90 dias, em vigor recentemente.
Resta ao comerciário, nesta data comemorativa, a reflexão que, certamente, reportará à certeza de que somente a união e a representatividade poderão mudar o quadro, que, quase um século depois, ainda carece de luta. Embora a jornada de trabalho esteja estabelecida, falta definir a regulamentação, piso satisfatório, regras justas para o trabalho aos domingos, melhores condições de trabalho e a continuidade da luta pelas 40 horas semanais. Em recente seminário, em que os sindicalistas puderam avaliar questões econômicas, políticas e sindicais, ficou claro que o caminho de luta do movimento é de mobilização dos trabalhadores, através de seus sindicatos e mediante escolhas políticas corretas. Em 2012, serão definidos os prefeitos e vereadores e em 2014, deputados, senadores, governador e presidente. É necessário pensar bem ao escolher quem vai legislar em nosso favor ou irá somente usufruir do voto. Portanto, reflexão é a ordem.
Ivone Simas – Presidente do SEC Guaíba
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