
A indústria tradicional de papel - localizada na Europa e nosEstados Unidos - enfrentou desafios importantes ao longo da década de 90, cuja resposta implicou mudanças estruturais profundas, que passaram a impactar diretamente a economia brasileira e, recentemente, a Metade Sul do Rio Grande do Sul.
A indústria tradicional de papel - localizada na Europa e nos Estados Unidos - enfrentou desafios importantes ao longo da década de 90, cuja resposta implicou mudanças estruturais profundas, que passaram a impactar diretamente a economia brasileira e, recentemente, a Metade Sul do Rio Grande do Sul.
No campo dos desafios, tem-se presente a concorrência que lhe vem fazendo a mídia eletrônica, o comportamento medíocre dos preços internacionais do papel em geral (gráfico) e o aumento da concorrência em âmbito mundial, protagonizada por um grupo de late-comers, constituído principalmente por países asiáticos.
A resposta dada pela indústria tradicional relaciona-se estreitamente a mudanças no suprimento da matéria-prima. Nesse campo, ocorreu uma extraordinária diversificação geográfica do abastecimento da pasta de celulose para fabricação do papel, acompanhada da exploração em escala crescente de novas espécies florestais, cujo melhor exemplo se encontra na fibra obtida a partir da madeira do eucalipto. As novas condições de produção resultaram em uma pasta celulósica de maior e crescente produtividade, portanto, de custos menores e decrescentes.
O Brasil é tradicional exportador nesse segmento de matéria-prima. Desde 1990, pelo menos, aparece nas cinco primeiras posições (terceiro lugar em 2006) do ranking dos maiores exportadores mundiais de polpa de madeira para papel. No segmento produtor de fibra de eucalipto, ele é líder mundial, e, no momento, processa-se um importante aumento da capacidade instalada no setor, contemplando o Rio Grande do Sul.
Para os produtores de celulose, como o Brasil e a Indonésia, a entrada forte da China no mercado internacional como compradora foi um fator propulsor das exportações. O País, a partir de 1998, passou a constar da lista dos cinco maiores compradores mundiais da commodity, subindo de posição até ocupar a liderança das importações em 2002. Em 1992, o valor em dólares das importações de pasta de celulose da China somava 1%; em 2006, 19,7% do total do comércio mundial. O Brasil e a Indonésia forneceram, em conjunto, 51% da matéria-prima proveniente das espécies florestais não coníferas àquele país, ocupando o segundo e o primeiro lugar, respectivamente, na lista dos seus fornecedores. A importância chinesa no mercado internacional de papel, por seu lado, é inexpressiva com relação ao da celulose, tendo sofrido redução de 3,4% para 2,9% entre 1992 e 2006. As diferenças podem estar associadas a esforços de industrialização naquele país.
O Brasil, sob a liderança de grandes grupos produtores nacionais e internacionais, soube inegavelmente se aproveitar de um mercado global de matérias-primas em franca expansão. Se o comportamento do volume físico das exportações de papel mantiver o dinamismo dos últimos anos, não há motivo para que o País não venha a ocupar outra posição na divisão internacional do trabalho, exportando mercadorias de maior valor agregado, como, no caso, papel.
Fonte: Carta de Conjuntura FEE
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