Artigo

Intercâmbio sindical

A luta do trabalhadores no Brasil e na China

Neco

Transformação social deve acompanhar evolução econômica

O crescimento econômico só é válido quando, além do desenvolvimento, ele é capaz de produzir justiça social. Certamente esse é o desafio da Federação de Sindicatos da China, organismo fundado em 1925 e ligado ao Secretariado do Comitê Central do Partido Comunista da China (CCCPC), cuja atuação nas diferentes regiões e indústrias. Como organização não-governamental e focada na salvaguarda dos direitos humanos na China, a entidade realiza ativamente suas funções de consciência proteger os direitos econômicos, democrática e cultural e os interesses dos trabalhadores.

Antes das reformas econômicas, a China ocupava o número 175 de 188 países. Atualmente a classificação do país está no número 129 de 209 países. De acordo com estatísticas oficiais, os pobres representam 10% da população total. Destes 5.968 milhões são da população rural; 4.616 milhões da população urbana e 2.5 milhões de trabalhadores imigrantes.

Num contexto de crise mundial em que o crescimento continuado de China e Índia ajuda a sustentar o equilíbrio mundial, se projeta a importância da Federação no sentido de garantir que o governo chinês reconheça e retifique as convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), como signatária que é da Declaração Universal dos Direitos Humanos (UDHR) e membro fundador das Nações Unidas, da qual a OIT é um organismo militante.

Que também na China o poder do associativismo possa influir na feitura de acordos entre nações e empresas, para que a bilateralidade tenha como marca o respeito aos tratados e normas internacionais, nos quais a proteção ao trabalho e a vigência da tese do Trabalho Decente sejam imperativos.

Ao sindicalismo mundial – e brasileiro, por extensão – cabe promover a aproximação com a Federação de Sindicatos da China para o campo progressista, justamente para que a evolução econômica desse gigante asiático seja pontuada por avanços sociais e, particularmente, trabalhistas. Os trabalhadores chineses não podem ser culpados pelo deslocamento de indústrias de outros continentes para o maior mercado consumidor do mundo, inclusive do Brasil, de onde evadiram empresas de calçados, por exemplo.

Em todo o planeta, a classe trabalhadora é uma só; aqui e na China.

Nilton Neco é secretário nacional de Relações Internacionais da Força Sindical

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