
A cultura de árvores florestais está na ordem do dia. Hoje, a silvicultura representa o somatório da consciência pregada por gerações, na qual ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore completam uma existência.
A cultura de árvores florestais está na ordem do dia. Hoje, a silvicultura representa o somatório da consciência pregada por gerações, na qual ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore completam uma existência. Observada pela ótica da preservação ambiental ou pelo pragmatismo da produção industrial, a silvicultura aponta para o desenvolvimento sustentável. Logo, precisamos de políticas permanentes que sinalizem para a renovação e ampliação das reservas. Nunca é demais plantar e reflorestar.
A silvicultura é tão importante para os ecossistemas como o são a transformação de árvores em carvão, móveis, papéis, texturas e derivados, cuja marca pontua o processo civilizatório. Quem já não ouviu falar em móveis à Luiz XV? No Brasil, houve o Ciclo da Borracha, na Amazônia, a partir da extração do látex das seringueiras para a fabricação de borracha. O plantio de árvores exóticas - os eucaliptos - começa na Região Sul com a construção da linha férrea Pelotas-Rio Grande, no final do século XIX, para suprir de dormentes (madeira que prendia os trilhos), viabilizando a construção dos molhes da barra do Porto de Rio Grande. Até hoje, na Praia do Cassino, em praças, parques e avenidas, encontramos imensos eucaliptos. No meio do século passado, foi iniciado o plantio de Acácia Negra, para extração do tanino, substância adequada para o tratamento do couro. Na década de 70, com incentivos federais, começa o plantio de Pinus, principalmente no litoral e em terras baratas da Metade Sul.
A Força Sindical percebe o caráter essencial da silvicultura ainda na década de sua fundação. Em 2001, a central marcou as comemorações do 1º de Maio para Pelotas, num reconhecimento da necessidade de alavancar a geração de emprego e renda na Metade Sul. No ano seguinte, foi a vez de Sant’Ana do Livramento sediar a manifestação pela passagem do Dia do Trabalhador. A Força Sindical participa do Fórum de Desenvolvimento Integrado e Sustentável da Mesoregião da Metade Sul - Fórum Mesosul, desde sua criação em 2001. Este Fórum definiu a silvicultura como uma das cinco atividades a ser priorizadas nos 105 municípios da região, estando inseridas tais decisões no Plano de Ação da Metade Sul, da Presidência da República, por ação deste Fórum. Recentemente, a central se empenhou na promoção da I Conferência Internacional do Bioma Pampa, na chamada Fronteira da Amizade, envolvendo agentes de Brasil, Uruguai e Argentina, dando clara ênfase à questão da silvicultura no processo de ativação do crescimento econômico dessa região comum à três bandeiras.
Daí crermos que as ações contra o plantio de árvores exóticas devam voltar suas preocupações para com as matas ciliares (vegetação à beira de rios, lagos e lagoas), com a qualidade das águas e do ar. Ao contrário do tom de certas vozes, as florestas de eucalipto não poluem, nem assoreiam as encostas ou sequer danificam os lençóis freáticos. Os processos, os conhecimentos sobre a silvicultura mudaram muito nos últimos anos, bem como a escolha mais criteriosa de espécies. A família dos eucaliptos, por exemplo, tem perto de 800 espécies, de forma que alguns erros localizados no passado, não devem servir para generalizações presentes.
Clàudio Janta, presidente da Força Sindical-RS
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