
O avanço do sindicalismo brasileiro incomodou tanto os setores conservadores da sociedade que a mídia foi chamada para fazer o trabalho sujo.
O avanço do sindicalismo brasileiro incomodou tanto os setores conservadores da sociedade que a mídia foi chamada para fazer o trabalho sujo. Diariamente, os meios de comunicação estampam notícias em que o sindicalismo está na berlinda e é tratado como a bola da vez do noticiário. A cada abordagem, emissoras de rádio e televisão, jornais e revistas apresentam denúncias e acusam sindicalistas de práticas condenáveis, quase sempre sem apresentar provas cabais e limitadas à existência de “indícios” que sugestionem o espectador. Justamente o contrário dos princípios básicos do jornalismo, que não admitem ilações acerca dos fatos e tampouco subjetivismo, trazendo a lembrança do poeta e jornalista Carlos Drummond de Andrade quando pronunciou a célebre frase de que “não há nada mais eloqüente que o fato”.
O fato em questão é a maturidade do sindicalismo organizado, que tem arrancado importantes conquistas institucionais – como o veto presidencial à Emenda 3, da precarização do trabalho àlegalização das centrais, o envio para a ratificação das convenções 151 (que garante o direito de negociação coletiva aos servidores públicos) e 158 (que proíbe a dispensa imotivada), ambas da OIT. Também ganha destaque o acordo com o governo federal para o reajuste do salário mínimo até 2023, indexado ao aumento da inflação, mais a variação do PIB; edição da medida provisória 388, que modifica as regras para o trabalho aos domingos no comércio; oficialização da participação do movimento sindical nos conselhos do Sesi, Senai, Sesc e Senac (Sistema S).
Os ataques ao movimento sindical e a seus principais personagens, como Paulinho da Força, nunca deixam de lamentar a existência de contribuições arrecadas dos trabalhadores. Para os agressores, as entidades deveriam se contentar com doações espontâneas, sem merecer o direito a impostos compulsórios, como ocorre com toda a carga tributária brasileira. Aliás, se o imposto sindical não vale, nenhum imposto pode valer, nem a nova tentativa de ressuscitar a CPMF. Social por excelência, o sindicalismo sobrevive exclusivamente do que arrecada dos empregados, sem contar com polpudas injeções de dinheiro que vão para a mídia em forma de publicidade. É natural, portanto, que a televisão e os rádios, as revistas e jornais, não falem a nossa língua e vejam um Brasil diferente do que vivemos cotidianamente.
Voltando ao fato e contrariando as vozes do Além, o custo/hora da mão-de-obra brasileira está entre os menores do Mundo. Enquanto o trabalhador do Brasil custa US$ 4,1, na Alemanha o mesmo custo é de US$ 33,0; na Holanda, US$ 31,8; na França, US$ 24,6 e nos Estados Unidos US$ 23,7. Na Coréia do Sul, um dos Tigres Asiáticos, o custo/hora do trabalhador é de US$ 13,6, três vezes maior que o brasileiro. Tais números contrariam outra tese, a de que o custo da mão-de-obra nacional é um dos empecilhos para uma maior competitividade do País, exatamente o oposto do falso alarde feito pelos mesmos órgãos da mídia.
Clàudio Janta, presidente Força Sindical-RS
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