
A sociedade gaúcha é a grande perdedora após a votação do Plano de Recuperação do Estado. Foram 34 votos contrários e nenhum a favor do projeto do executivo que visava sanear as finanças do governo, há décadas amargando um déficit após outro.
A sociedade gaúcha é a grande perdedora após a votação do Plano de Recuperação do Estado. Foram 34 votos contrários e nenhum a favor do projeto do executivo que visava sanear as finanças do governo, há décadas amargando um déficit após outro. Aliás, o Rio Grande é o único estado da federaçãoque não conseguiuatingir o equilíbrio de suas contas, o que é deveras preocupante. A radicalização do placar prova o descompasso entre o que pensa o governo e o que a sociedade pretende, justamente a resistência à elevação da carga tributária; uma postura que todos queriam ver assumida por parlamentares em âmbito municipal, regional e federal.
Basta observar a dificuldade que o governo federal tem encontrado para aprovar a CPMF, mesmo tendo formado uma base política ampla, pois não se quer pagar impostos de forma progressiva. Nunca chegam notícias da queda de impostos, ou dos preços de produtos e serviços. É o contrário: leite, gasolina, passagens de ônibus e o próprio custo de vida seguem sempre um só sentido, subindo sem parar. O que se espera é colaboração dos demais poderes na luta pela redução do déficit do Estado a níveis aceitáveis. O executivo já extinguiu 80% dos cargos de confiança e coloca à venda imóveis cuja renda servirá para o pagamento de precatórios. O Rio Grande ocupa a 14º posição no ranking brasileiro de peso do ICMS no Produto Interno Bruto, perdendo para estados de menor porte.
Será preciso grandeza dos poderes Legislativo e Judiciário para que prevaleça a noção de racionalismo econômico. Senão estaremos lidando com um nível de consciência semelhante àquele do cidadão que acredita que não deve economizar água, mas sim o vizinho. A mesma visão do motorista que lava o carro na calçada, deixando jorrar o desperdício à vontade. Aos olhos do povo, o dinheiro público serve para bancar a construção de prédios suntuosos e para patrocinar a renovação de frotas de carros modernos para as chamadas autoridades, que usufruem as benesses como quem está por cima da carne seca.
Autoridades e representantes públicos deveriam se mirar no povo que lhes dá investidura. Caso agissem assim, veriam o malabarismo que nossa gente faz para viver com um salário que perde força a cada dia e compra menos que na semana passada. Como um camaleão, a população se adapta a todas as variações do meio, adiando para depois os melhores sonhos da vida. E dizer que vem do povo a riqueza que move toda a engrenagem. Afinal, de grão em grão a galinha enche o papo e há milhões contribuindo para que o bolo cresça e não seja repartido de forma igualitária. Infelizmente.
Clàudio Janta, presidente da Força Sindical-RS
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