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Greve 07/01/2015 13:49

Segundo sindicato, mais de mil metalúrgicos já foram demitidos neste ano

A greve segue por tempo indeterminado até a revisão das demissões, sob o argumento de que a empresa está descumprindo acordo firmado em 2012.

O ano novo mal começou e o setor automobilístico já demitiu mais de mil trabalhadores, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Nas contas dos sindicalistas, 800 foram dispensados na Volkswagen e outros 244 na Mercedes. Na unidade da Volks, os trabalhadores decidiram entrar em greve por tempo indeterminado até a revisão das demissões, sob o argumento de que a empresa está descumprindo acordo firmado em 2012, que previa a estabilidade dos funcionários até 2016. A Mercedes não confirma o número de demitidos.

Miguel Torres, presidente da Força Sindical, contou ao GLOBO que Rafael Marques, presidente do Sindicato do ABC, está preocupado que as demissões nas fábricas da Volks chegue a 2 mil, quando todos os funcionários voltarem das férias coletivas. No caso da unidade de Curitiba, por exemplo, as atividades só voltarão na semana que vem.

— Se uma empresa grande como a Volks está fazendo isso, imagina o resto da cadeia. Isso pode desencadear uma onda de demissões entre os prestadores de serviços e os fabricantes de autopeças — disse Torres, salientando que a maior parte da base da Força é justamente composta pelos trabalhadores no ramo de autopeças.

O grupo de empregados cortados na Volks recebeu uma carta solicitando o comparecimento ao departamento de Recursos Humanos antes do início do turno desta terça-feira, primeiro dia de trabalho após as férias coletivas. Já os trabalhadores demitidos pela Mercedes estavam retornando de um lay-off iniciado em julho. Na ocasião, 1,2 mil metalúrgicos tiveram seus contratos suspensos. Em fim de novembro, parte deles teve o lay-off estendido, outros aderiram a um programa de PDV (programa de demissão voluntária) e uma parte entrou no “processo de encerramento de contrato”, nas palavras da montadora.

Sobre a acusação de rompimento do acordo de estabilidade de emprego feita pelo Sindicato, a Volks afirma que no dia 2 de dezembro tentou negociar com os trabalhadores uma nova proposta, afirmando que havia um excedente na fábrica de 2,1 mil trabalhadores e que a montadora precisava ganhar competitividade. O novo acordo era de trocar os reajustes de salário por um abono em 2015 e 2016, além de um programa de demissões voluntária. A proposta foi rejeitada e, no final das férias coletivas, a empresa passou a enviar o comunicado a esses trabalhadores.

O comunicado da empresa enviado aos jornalistas sinaliza ainda que novos cortes podem acontecer. “Continua urgente a necessidade de adequação de efetivo e otimização de custos para melhorar as condições de competitividade da Anchieta, motivo pelo qual a empresa inicia a sua primeira etapa de adequação de efetivo”, diz a Volks.

Luiz Carlos Prates, conhecido como Mancha que é secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, classificou de “covarde” da ação da Volks. Segundo ele, a ação da montadora, de descumprir o acordo assinado com os trabalhadores, gera “receio”.

— Também temos acordo de estabilidade com a GM aqui em São José para os 800 funcionários que estão em lay-off. Se de fato for efetivado o rompimento do acordo da Volks com o sindicato do ABC, há o risco de outras empresas quererem fazer o mesmo. É uma covardia — criticou.

GREVE NA VOLKS

Às 7h de terça-feira (dia 6), os trabalhadores fizeram uma assembleia para definir o início da greve na fábrica de São Bernardo da Volks. A reunião contou com a participação da quase totalidade dos 7 mil trabalhadores, segundo o sindicato. No meio da tarde, outra assembleia, com 4 mil funcionários, também votou por unanimidade a greve. No período da noite outra votação ocorrerá com mais 2 mil empregados. A paralisação é apenas interna, ou seja, os trabalhadores permanecem na fábrica, mas sem executar nenhuma tarefa.

A montadora reforçou diversas vezes em nota oficial que sua decisão de cortar funcionários está baseada na retração no setor automobilístico no país, que acabou por afetar a Volkswagen no Brasil e, principalmente, a unidade de São Bernardo, com uma retração na produção de aproximadamente 15%.

“Há um acordo trabalhista vigente desde 2012, que foi estabelecido em premissas de mercado e vendas que infelizmente não se confirmaram”, justifica a nota, que reforça ainda que os concorrentes realizaram reajustes salariais menores nos últimos anos e que a média salarial da unidade Anchieta já é mais elevada do que a de outras fábricas de automóveis.

UNIDADE ANCHIETA

A unidade fabril da Volks de São Bernardo, inaugurada em 1959, foi a primeira da Volkswagen fora da Alemanha. Com cerca de 11 mil funcionários, a planta produz hoje os modelos Gol, Polo, Polo Sedan, Saveiro e Saveiro Cross.

De acordo com a empresa, a unidade tem “um nível de remuneração média acima dos principais concorrentes”, inclusive os que estão instalados na mesma região. “As premissas de reajustes salariais que foram definidas com o objetivo de aumentar a competitividade da Anchieta infelizmente têm distanciado a companhia de suas principais concorrentes (que realizaram reajustes menores com base no cenário dos últimos 2 anos).”

O Globo

Link alternativo: http://fsindical-rs.org.br/n/1nG

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